sexta-feira, 16 de abril de 2010

O bezerro de ouro




Quando Moisés subiu ao monte Sinai para receber as tábuas da lei, o povo ficou lá embaixo, aguardando o seu retorno. Depois de alguns dias, os israelitas, já impacientes, avaliaram a situação e concluíram que Moisés não voltaria mais. Então, pediram que Aarão lhes fizesse um ídolo que os guiasse (Êx 32.1). É possível que estivessem se sentindo abandonados, desamparados, mas isso demonstrava que o povo não tinha consciência da presença de Deus.

Israel estava vivendo um período de transição no deserto, entre o Egito e Canaã. A escravidão ficara para trás, mas a terra da promessa ainda não era realidade. Esse ponto da jornada, quando as coisas parecem indefinidas, torna-se perigoso.

Enquanto Moisés estivesse no monte, o povo deveria apenas esperar, com fé e fidelidade. Não era tempo de agir nem avançar. Contudo, a avaliação humana produziu uma iniciativa infeliz. Precisamos tomar cuidado com a nossa impaciência. A pressa pode causar precipitação. O tempo de Deus é diferente do tempo dos homens.

A liderança

Naquele dia, os israelitas manifestaram a necessidade espiritual que todo homem possui. Queriam algo para adorar, mas esse desejo legítimo transformou-se em idolatria, como acontece com tantas pessoas ainda hoje. Aarão, irmão de Moisés, demonstrou ser um líder imaturo naquela ocasião, ao se deixar manipular pelo povo. Ali estava um verdadeiro servo de Deus, escolhido para ser o primeiro sumosacerdote da nação, mas, tendo como prioridade agradar ao povo, cometeu grave erro perante o Senhor. Isso demonstra a importância da vigilância na vida dos líderes vocacionados pelo Pai. Ele deveria ter repreendido Israel, conduzindo-o na adoração ao Senhor, mas não o fez.

A obra maldita

Aarão recolheu uma grande oferta. O povo mostrou-se unido, participativo e disposto a contribuir (como muitas vezes não se vê), trazendo as jóias de ouro das mulheres, dos filhos e das filhas (Êx.32.6). O pecado sempre prejudica a família toda. Parte do que poderia ser usado na construção do tabernáculo foi desviado para o mal.

Observa-se naquele episódio um povo com propósito, com recursos, com meta definida, com uma ideia colocada em prática. Contudo, estavam fora do propósito de Deus. Ao invés de edificarem o tabernáculo, conforme a ordenança divina (Êx.25.8), estavam trabalhando numa obra maldita, usando seus bens, tempo e talentos contra a vontade do Senhor.

Entre tantos ídolos que poderiam ser feitos, por quê foi escolhido um bezerro de ouro? Isso mostra que a cultura egípcia ainda dominava a mente daquele povo, assim como pode se manifestar a mentalidade mundana dentro da igreja hoje. A estátua do boi, no Egito, representava o deus Ápis.

Por quê fazer uma imagem? Para atender a necessidade que o homem tem de algo para ver e tocar. Esta é a condição daqueles que vivem por vista e não por fé. Na história do povo de Deus, vemos que o Senhor permitiu e ordenou a utilização de objetos sagrados, mas nunca como representação da divindade. Não poderia haver uma imagem que representasse Deus (ou deuses).

Aquele ídolo assemelha-se às imagens sacras da atualidade, perante as quais os devotos se prostram em adoração. Ao fazer isso, o povo de Israel cometeu o pecado da idolatria, abandonando o verdadeiro Deus.

O ídolo

Aquele bezerro de ouro devia ser impressionante, belo, brilhante, reluzente, além de possuir grande valor financeiro. Sua figura representava a força e a fertilidade animal. A aparência poderia ser perfeita, mas não havia ali a essência divina. Estava estabelecida a adoração aos valores materiais, às riquezas, ao dinheiro e a tudo aquilo que satisfaz aos olhos. Muitas religiões apelam para a ostentação visual para compensar seu vácuo espiritual.

Apesar de toda a beleza, não havia vida naquele bezerro. Esta é uma das diferenças entre o verdadeiro Deus e as imagens dos ídolos. A respeito delas, escreveu o salmista:

“Os ídolos deles são prata e ouro, obra das mãos do homem. Têm boca, mas não falam; têm olhos, mas não veem; têm ouvidos, mas não ouvem; têm nariz, mas não cheiram; têm mãos, mas não apalpam; têm pés, mas não andam; nem som algum sai da sua garganta. Tornem-se semelhantes a eles os que os fazem, e todos os que neles confiam.” (Sl 115.4-8.)

Como Israel podia adorar a um bezerro que precisou ser criado por mãos humanas? Um bezerro inerte e inútil que precisaria de ajuda para se locomover pelo deserto. Assim são os ídolos feitos de metal, madeira, pedra, gesso, argila, papel etc.

O bezerro seria um peso inútil, uma carga desnecessária para Israel, exigindo um esforço inglório e tornando mais lenta a caminhada. Deus não permitiu que ele fosse levado em procissão pelo deserto, mas quantos estão carregando em suas vidas os malditos ídolos que construíram? Muitos estão transportando o fardo das consequências de suas transgressões contra Deus, e isso lhes impede de avançar em suas jornadas.

Se o problema da idolatria estivesse restrito à ausência de vida das coisas adoradas, estaríamos perante algo pouco complexo. Contudo, a Bíblia nos ensina que os demônios se identificam com os ídolos e passam a receber as oferendas a eles destinadas (1Co 10.20).

Apresentando o falso deus ao povo, Aarão disse: “Este é o teu deus, ó Israel, que te tirou da terra do Egito.” (Êx.32.4). Além de proferir uma mentira absurda, Aarão estava dando ao bezerro a glória que pertencia ao Senhor. Cometemos o mesmo pecado, quando pensamos que o nosso êxito é fruto dos nossos recursos financeiros ou da nossa própria capacidade. Desviamos a glória de Deus, quando atribuímos ao emprego, à família ou a qualquer coisa ou pessoa os méritos pelo que há de bom em nossas vidas. Muitos contribuem para o nosso bem, mas a glória pertence somente ao Senhor. Muitos são os canais, mas a nossa fonte é Deus. Os ídolos, porém, nenhuma utilidade têm.

Maldito foi aquele dia na história de Israel, quando o povo adorou a imagem da criatura em lugar do criador (Rm 1.25). O primeiro mandamento havia sido transgredido (Êx 20.1), bem como o segundo e o terceiro. Israel haveria de violar toda a lei de Deus. Aquele era apenas o começo.

A festa

Quando o ídolo ficou pronto, Aarão disse: “Amanhã, faremos uma festa ao Senhor” (Êx.32.5), como se fosse possível servir a dois senhores, misturando o santo e o profano, a luz e as trevas.

No dia seguinte, Israel realizou um grande culto pagão. Estava tudo errado, mas parecia perfeito. Aquela celebração estava repleta da alegria temporária que o pecado proporciona. Muitos ímpios parecem felizes, tanto quanto alguém que tem um câncer mortal, mas ainda não sabe. É apenas uma questão de tempo.

A vinda de Moisés

Os israelitas não sabiam o dia do retorno de Moisés, embora estivesse bem próximo. No alto do monte Sinai, Deus lhe disse: “Tenho observado este povo, e eis que é povo de dura cerviz” (Êx 32.9). Deus está vendo tudo o tempo todo e, por motivos como aquele, sua ira se acende como fogo consumidor. A idolatria é um dos pecados que mais ofendem a Deus. Trata-se de uma abominação, algo nojento e execrável.

Então, Deus desejou destruir Israel, mas Moisés intercedeu pelo povo (Êx 32.11). Da mesma forma, Jesus está diante do Pai intercedendo por nós (Is 53.12). Muitos pensam que ele não voltará mais, assim como aquele povo pensava.

Quando menos esperavam, no meio da festa maligna, quando cantavam despidos diante do bezerro de ouro (aquilo era um verdadeiro carnaval), Moisés chegou e surpreendeu a todos.

Temos ali um quadro comparável à segunda vinda de Cristo. Como seremos encontrados quando ele chegar?
Moisés ficou irado contra o povo. Em seguida, ocorreu uma cena de juízo e execução.

A destruição do bezerro

Não era de se esperar que Moisés, descendo do monte, dissesse: “Que coisa mais linda esse bezerro! Deve valer um milhão. Parabéns, Aarão. Você é um artista”.

Ele poderia então, numa atitude bem discreta, respeitar a fé daqueles adoradores. Afinal, “religião não se discute”. Nada disso! Moisés não seria conivente com aquele pecado.

Uma ação enérgica precisava ser realizada. Então, Moisés resolveu destruir o bezerro de ouro. O prejuízo seria grande, mas não havia alternativa. Ele não poderia ser guardado, vendido nem doado. Israel ficaria um pouco mais pobre. Esta seria uma das consequências daquele pecado. Algumas perdas são necessárias e inevitáveis.

O bezerro, mesmo sendo uma obra de arte, não foi poupado. Foi reduzido a pó e misturado à água que Moisés deu ao povo para beber. Sua contribuição preciosa voltou e eles seriam obrigados a engoli-la. Assim também, os males praticados voltam contra os seus autores.

A destruição dos idólatras

Muitos adoradores do bezerro também voltaram ao pó naquele dia, assim como aconteceu ao ídolo.

“Tornem-se semelhantes a eles os que os fazem, e todos os que neles confiam.” (Sl 115.8).

A pena de morte aplicada naquele dia nos deixa perplexos. Contudo, uma penalidade branda enfraqueceria o tom de gravidade demonstrado pelo texto bíblico. Deus não poderia admitir tamanha corrupção no meio de Israel. Além disso, precisaria ficar bem clara a mensagem de que “o salário do pecado é a morte” (Rm 6.23). Ainda hoje, muitas vidas são ceifadas antes do tempo porque as pessoas se afastam de Deus e servem aos ídolos. Pior do que a morte física será a morte eterna que recairá sobre aqueles que não se converteram ao caminho da justiça.

A corrupção de Israel passou por fases distintas. No início tudo parecia bem. Houve até festa. Depois, terminou mal. As famílias contribuíram com alegria. Depois, muitos familiares morreram.

Em que momento você está vivendo? Se chegasse alguém para repreender o povo no meio da festa, seria considerado um tolo. Afinal, todos estavam “felizes”. Contudo, precisamos despertar antes que seja tarde demais. É preciso que façamos um exame de consciência, reconhecendo os ídolos que porventura existam em nossas vidas.

Ainda é tempo de arrependimento e mudança. É necessário um posicionamento como o dos levitas, que escolheram servir e adorar apenas ao verdadeiro Deus. Estes foram poupados e perdoados. Por sua escolha, escaparam da ira divina e se refugiaram na misericórdia.

::Anísio Renato de Andrade

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Oração Efetiva.



Não há nada mais comum entre os homens, nenhuma atividade humana mais universal, e nenhum ato mais misterioso e não compreendido, do que a oração. Desde a origem dos tempos e do advento da história registrada, a expressão religiosa da oração tem sido encontrada em toda cultura, civilização e era. Das tribos primitivas em todos os continentes às complexas civilizações à volta do mundo têm sido conhecidas ao praticar esta arte antiga chamada oração, a algum deus ou deidade. Mas ainda a pergunta deve ser respondida: por que os homens oram?
O que é oração?
Oração é o homem comunicando-se com Deus e dando a Ele o direito e permissão de interferir nos assuntos da Terra. Através desta comunhão com Deus, o homem está essencialmente dando a Deus acesso para interferir nos assuntos da Terra através do próprio homem que é autoridade delegada por Deus na Terra. Oração, portanto, não é uma opção para a humanidade, mas uma necessidade. Se nós não orarmos, o Céu não pode interferir nos assuntos da Terra. É imperativo que nós assumamos a responsabilidade pela Terra e determinemos o que acontece aqui pela nossa vida de oração.
Quando Deus criou o homem inicialmente deu a “eles” o direito e a autoridade de operar e conduzir o planeta. No princípio Deus disse:
“Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os grandes animais de toda a terra e sobre os pequenos animais que se movem rente ao chão.” (Gênesis 1:26)
Entretanto a supremacia do homem na Terra estava sujeita à consulta Àquele que deu ao homem autoridade. Mas Adão e Eva pecaram e quebraram a comunhão com Deus – com o Governo do Céu ao qual representavam na Terra. Por este ato de rebelião o homem alienou-se a si mesmo do governo de Deus na Terra, e Satanás efetivamente tornou-se governador sobre o homem.
Apesar da rebelião do homem, Deus ainda manteve seu propósito original para o homem para governar a Terra (porque Deus não pode mudar). Deste modo, Ele tem atraído o homem para si mesmo a fim de restaurar o foco do homem para que possa executar Seu propósito na Terra. Mas Deus é santo e não pode ir contra a Sua própria palavra e interferir nos assuntos do homem na Terra, Ele não pode tomar de volta, então Ele espera pelo homem para que o procure, e faça conhecidos seus pedidos a fim de que Ele possa trabalhar a seu favor.
É isso o que é oração – homem dando a Deus acesso às coisas que precisam ser feitas na Terra. É por isso que o homem precisa orar – pra que a vontade de Deus seja feita na Terra assim como é no Céu. É por isso que quando paramos de orar, nós permitimos que o propósito de Deus para o mundo seja impedido. Se nós não orarmos, nosso mundo estará suscetível à influência de Satanás e do pecado.
Chaves para Oração Efetiva
Contudo que Deus ame demais a humanidade e esteja esperando para trabalhar a nosso favor, porque Ele é santo, Ele não pode responder a todos e a qualquer pedido que façamos. Ele deu algumas especificações de como deveríamos orar a fim de que nossas orações sejam respondidas.
Antes de tudo, nós devemos ter um relacionamento íntimo com Deus a fim de que Ele possa ouvir nossas orações. As orações de Jesus eram efetivas porque Ele tinha um relacionamento com Deus. Ele sabia os propósitos de Deus, e orava de acordo com a vontade de Deus. Ele orava de acordo com o que Deus já tinha falado e prometido fazer. Nós temos que imitar a Cristo. Nós também temos que conhecer a palavra de Deus e orar o que Deus prometeu.
Segundo, oração fervorosa, efetiva não significa tentar convencer a Deus a fazer a nossa vontade. Significa que nós submetemos as nossas vontades a Ele e que a Sua vontade seja feita através da nossa vontade. Desta forma, a chave para a oração efetiva para nós como indivíduos é compreender a vontade de Deus para a nossa existência – como seres humanos em geral, e como indivíduos. Uma vez que entendemos nosso propósito, isto se torna a ‘matéria prima’ e a questão fundamental para nossa vida de oração.
Fé e Oração
Fé é um outro elemento chave para oração. Fé é a confiança ativa: confiança combinada com expectativa e ação. Deus fala com fé e Sua palavra se torna vida. Nós somos criados à imagem de Deus e precisamos agir da mesma forma que Ele age – através de palavras de fé.
Há dois tipos de fé – fé negativa e fé positiva e ambas vêm do mesmo significado. Vêm do que nós ouvimos e acreditamos. O tipo de fé necessária no coração dos crentes é a fé que vem pelo ouvir da palavra de Deus. (Romanos 10:8 e 17)
Orações que são Respondidas
O único meio de estar seguros que nossas orações são respondidas é estar plenamente conectados a Deus. Quando gastamos tempo diante de Deus em oração, Deus nos dá Seus pensamentos, então nós sabemos o que Ele está pensando e quer que seja feito. Quando nós oramos assim, nossas orações devem ser respondidas. É por isso que um dos princípios importantes na oração é gastar tempo em quietude diante de Deus, antes que comecemos a fazer quaisquer pedidos. Em João 5:19 Jesus disse:
“Eu lhes digo verdadeiramente que o Filho não pode fazer nada de si mesmo; só pode fazer o que vê o Pai fazer, porque o que o Pai faz o Filho também faz.”
Este é o padrão de oração que eu suplico que vocês sigam. Leia a palavra de Deus, gaste tempo com Ele para conhecer Seu coração – o que Ele quer cumprir em você, através de você e ao seu redor, e então ore, que Ele realizará. Você pode estar seguro que suas orações serão respondidas.

terça-feira, 6 de abril de 2010

O X da questão é: a questão em si


Ninguém suporta mais meias-verdades. Todo mundo no mundo todo está procurando respostas, e não é qualquer resposta que vai satisfazer a alma de qualquer um. Não existe mais aquela ingenuidade em respeito à “boa-religião”, onde o sujeito aceitava toda sentença que saia da boca de um sacrossanto homem. Não mais. Agora as pessoas perguntam: Por quê? Fica claro que no momento mais questionador da história da humanidade em relação ao trinômio mundo-Deus-eternidade, todos querem saber apenas o que é a verdade, e nada além ou aquém desta real verdade.

E qual será a resposta que estamos dando às incertezas dos nossos semelhantes? Em absoluto, ando muito inquieto a respeito disso.Tenho sérias dificuldades ao tentar não me irritar quando ouço uma pregação, ou até mesmo um diálogo entre cristãos onde as respostas às questões pertinentes à alma humana não passam de meras receitas religiosas e ocas da insistente cozinha do apagão de energia racional.Usando de mandingas-pseudo-cristãs, as respostas caem sempre no lugar comum do escambo, onde a mentalidade retroage aos tempos da pré-colonização, como fossemos nós ainda índios interessados em objetos sem valor, e Deus o colonizador/usurpador de nossas almas.

Estaria o nosso Deus realmente interessado em brincar desse jogo pueril com os homens, ao receber favores humanos em troca de bênçãos divinas? Ou então estaria procurando adoradores pela terra afora (como realmente está!) a fim de galardoar esses “verdadeiros adoradores de motivações dúbias” com riquezas e bens? Porque essa é a linha teológica de engano que está sendo ensinada em boa parte dos nossos púlpitos hoje. É essa teologia tão sem fundamento na verdade e tão simples de ser explicada à medida que se baseia no principio de causa e efeito das coisas, que o povo, que perece hoje por falta de entendimento da Verdade, abraça esse ensino de braços abertos. É basicamente assim que se entende: “Se eu faço coisas boas, coisas boas acontecem comigo. Se o perverso faz coisas más, ou seja, o outro que não sou eu (porque ele não cogita de forma alguma que seja possível fazer o mal ele mesmo), então coisas más acontecerão com o perverso, mas não comigo”.

Lembro de um culto onde ouvi uma pregação onde tudo se resumia em princípios de causa e efeito, como esse: “Se você orar irmão, o seu filho vai orar. Se você buscar ao Senhor, o seu filho também vai buscar. Se você tiver sede por Deus, o seu filho também terá”. Não foi a primeira vez que ouvi coisas do tipo, e pelo visto nem a última. E tudo isso é falado sem nenhum respaldo bíblico ou histórico, na cara-de-pau e sem constrangimento. Afinal, quantos homens dedicados, que serviram a Cristo fiel e piedosamente, sofreram por seus familiares que negaram a fé e se afastaram da Verdade? Quantas mulheres de oração morreram sem jamais terem visto seus maridos e filhos arrependidos diante da Cruz?

É esse o pseudo-evangelho que tem sido pregado pela maioria, onde não existe a Graça. Eles a deixam de fora, porque a Graça não é uma matemática religiosamente exata, onde tudo se consegue na medida numérica das “boas ações”. A Graça jamais será baseada em justiça própria, como se nossos atos bons merecessem grandes recompensas. Também não servirá à justiça humana, destruindo aos perversos por serem eles praticantes de obras más. A Graça é, em si, um favor imerecido. E se você prestar a atenção real nos exemplos bíblicos e não apenas olhando para a Palavra com a ótica das profetadas que apenas massageiam o ego do pecador, verá que em boa parte das vezes, a Graça se manifesta em meio à des-graça humana.

E porque a moda hoje então é dar respostas fáceis? 1. Porque não se quer reconhecer que em Deus convergem todas as coisas, tanto as boas quanto as ruins (Colossenses 1:16-17). 2. Porque é avidamente doído aceitar que muitas vezes nós teremos que conviver com nossas próprias chagas, simplesmente porque a Graça da revelação de Cristo por nós e em nós nos basta (II Coríntios 12:9). 3. Porque é inaceitável hoje o evangelho que sente prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando estamos fracos, então, somos fortes. Quando estamos pobres, então, somos ricos. Quando estamos mortos, então, realmente vivemos (II Coríntios 12:10).

Sei que meus argumentos são refutados pelos “pastores” que atraem para si milhares de ovelhas, dizendo que os campos estão verdejantes, e que tem comida para todos quando, na verdade, os campos do entendimento estão mortos e os mananciais secaram. Onde se alimentarão as ovelhas que acreditaram no papo-furado das bênçãos fast-food e das promessas de alegria eterna instantânea?

É fato que acreditamos que a Bíblia é a BASE para qualquer resposta. Mas do que é feito o EDIFÍCIO que construímos para o mundo ver? Contextualizados com este mundo velocíssimo, o que será que estamos mostrando para nossos irmãos-humanos que ainda não viram a face verdadeira do amor? Não sendo apenas uma resposta preguiçosa de causa e efeito, que apenas levará a humanidade para um buraco mais fundo de frustração, mostremos ao mundo a Graça de Jesus, e os argumentos verdadeiros da VERDADE.

A VERDADE é que os argumentos saudáveis não se baseiam num jogo de figurinhas com o Criador.
A VERDADE é que nossos atos de justiça, nossas orações e boas ações fazem um bem real apenas a nós mesmo, e não a Deus.
A VERDADE é que apenas o Senhor é o dono da VERDADE, e não podemos usar de meias-verdades para angariar popularidade pessoal.

Embevecido pelo alto favor imerecido de cada dia, que me liberta da minha des-graça pessoal,

Lucas Souza
28/02/2007