sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Julgar: o que a Bíblia diz? Pode ou não pode?

Quando se fala em julgar, qual é a primeira frase de que você lembra? Provavelmente, seja esta "não julgue para não ser julgado".Essa frase é uma verdade bíblica, porém as pessoas aprenderam o significado dessa passagem de forma errada e repetem isso religiosamente para justificar suas atitudes erradas de forma que ninguém possa corrigi-las.O mau hábito das pessoas em relação à Palavra de Deus é ler versículos e analisados individualmente ou fora de contexto, sendo que devemos analisar a Bíblia em sua totalidade.A frase "não julgue para não ser julgado" baseia-ne nos versículos de Mateus 7:1-2, em que o Senhor Jesus ensina a multidão e os discípulos.
Mateus 7:1-2
"Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós."
Que tipo de julgamento Jesus falou? Os versículos seguintes respondem essa pergunta.
Mateus 7:3-5

"E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão."
Jesus falou sobre a atitude de apontar defeitos em uma pessoa a partir de sua própria opinião sem reconhecer os seus próprios erros. Na justiça dos homens, quando uma pessoa está perante um juiz, há duas possibilidades: a absolvição ou a condenação. Um dos dois caminhos é sentenciado a partir de parâmetros que são definidos pela lei do país, que é a verdade tomada como referência no território desse país.
Ninguém gosta de ser corrigido, pois isso não produz boas emoções ou bons sentimentos, ou seja, não agrada a alma. Porém, o Senhor nos ensina em Sua Palavra que aquele que aceita a repreensão é sábio e prudente.
Provérbios 15:32
"O que rejeita a disciplina menospreza a sua alma, porém o que atende repreensão adquire entendimento."



Provérbios 15:5
"O insensato despreza a instrução de seu pai, mas o que atende à repreensão consegue a prudência."



Provérbios 15:10
"Disciplina rigorosa há para o que deixa a vereda, e o que odeia a repreensão morrerá."



Eclesiastes 7:5
"Melhor é ouvir a repreensão do sábio do que ouvir a canção do insensato."

O Espírito Santo deu-nos a oportunidade de compreender o ato de julgar. Em 1 Coríntios 6, o apóstolo Paulo escreve aos coríntios repreendendo-os sobre a omissão deles em julgar as coisas pertencentes a esta vida.
1 Coríntios 6:2-5

"2Não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deve ser julgado por vós, sois porventura indignos de julgar as coisas mínimas?
3Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos? Quanto mais as coisas pertencentes a esta vida?
4Então, se tiverdes negócios em juízo, pertencentes a esta vida, pondes para julgá-los os que são de menos estima na igreja?
5Para vos envergonhar o digo. Não há, pois, entre vós sábios, nem mesmo um, que possa julgar entre seus irmãos?"
Observe atentamente esses versículos. No versículo 2, Paulo afirma que os santos, todo aquele que crê em Jesus como Senhor e Salvador e tem uma vida santificada (separada para Deus), irão julgar o mundo, e isso acontecerá no fim do Reino Milenar de Cristo. Por acaso então somos indignos de julgar as atitudes e os desentendimentos das pessoas?
No versículo 3, o Espírito Santo ainda dá a Paulo uma outra revelação, que diz que todo aquele que crê no Senhor Jesus e tem uma vida obediente a Deus irá julgar os anjos. Por que será então que não podemos julgar as coisas desta vida? No versículo 5, Paulo ainda pergunta aos coríntios se não há ninguém capaz entre os irmãos para julgar.
Julgar é uma atribuição do cristão que obedece a Deus, porém ninguém, nem que se julgue o mais obediente a Deus, pode realizar qualquer julgamento segundo a sua própria opinião. Preste muita atenção: Deus não quer que você julgue as pessoas segundo o que você pensa. Ele espera que você julgue de acordo com a Palavra Dele, repreendendo a pessoa em amor a fim de que ela possa se arrepender. Para isso, você deve conhecer a Palavra de Deus e mostrar para essa pessoa qual é a vontade Dele em relação ao erro que ela cometeu.
A partir deste momento, não permita que a omissão permaneça em sua vida, assuma sua posição em Jesus Cristo e ministre a verdade (a Palavra de Deus) às pessoas.
O Senhor ainda nos ensina que aquele que repreende o homem terá ainda mais amizade com ele do que aquele que o elogia falsamente.


Provérbios 28:23
"O que repreende o homem gozará depois mais amizade do que aquele que lisonjeia com a língua."
Em outras palavras, Deus não quer que você seja cúmplice do pecado omitindo-se.
O Senhor nos alerta em vários versículos sobre o pecado da omissão.
Êxodo 23:1
"Não admitirás falso boato, e não porás a tua mão com o ímpio, para seres testemunha falsa."
Em um ensino maravilhoso, o Senhor ainda nos diz:


Tiago 4:17
"Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado."
Se você sabe que uma determinada atitude não está de acordo com a vontade de Deus, mas não se manifesta contra, você se torna cúmplice e também comete pecado.
Todas as vezes que você repreender um irmão, faça isso em amor com o desejo de que esse irmão se arrependa e volte a andar no caminho correto. Paulo escreveu aos coríntios que tudo que eles fizessem deveria ser feito em amor.
1 Coríntios 16:14

"Todas as vossas coisas sejam feitas com amor."
Obedeça a Deus e seja sal e luz durante toda a sua vida.
Agradecemos ao Senhor Jesus por nos proporcionar mais um momento maravilhoso de meditação na Palavra de Deus. Cremos que a mentira de que não devemos julgar foi limpa pela verdade do Senhor e aprendemos que devemos julgar fundamentados na Palavra Dele, a fim de que possamos combater o pecado.

Deus abençoe a sua vida abundantemente!

terça-feira, 21 de junho de 2016

Uma igreja pratica!



Atos 02. 42
“E todos continuavam firmes, seguindo os ensinamentos dos apóstolos, vivendo em amor cristão, partindo o pão juntos e fazendo orações. ”
O dia de Pentecostes havia se cumprido, a bíblia nos relata que todos os seguidores de Jesus estavam reunidos no mesmo lugar, em uma casa, e ao ouvir o barulho uma grande multidão de pessoas de várias regiões, se ajuntaram naquele local, admirados podiam ouvir cada um na sua língua, no seu idioma as maravilhas que Deus tinha feito, que eram proclamadas pelos seguidores de Jesus, trazendo para nossos dias hoje nos leva a pensar será que a igreja tem falado a mesma “língua” da nossa sociedade de modo que as pessoas possam entender as maravilhas que Deus tem feito, ainda assim esta passagem nos mostra que alguns ficaram sem entender o fato, alegando que os seguidores de Jesus estavam embriagados, foi então que Pedro se levantou junto com os outros onze apóstolos (os líderes da igreja) e começou a explicar tudo que estava acontecendo ali, ouve uma resposta de Pedro que foi tão eficiente para aquele contexto, que a bíblia nos relata que naquele dia quase de 3 mil almas se arrependeram e se juntaram com os seguidores de Jesus, Pedro falou a aqueles homens de uma forma no qual eles puderam entender, compreender e assim aceitar, mas isso nos leva a refletir será que as pessoas estão entendendo a nossa fala, é verdade que nos dias atuais em um contexto de pós-modernidade onde tudo e relativo, “convencer” as pessoas sobre algo se torna muito mais desafiador, hoje as pessoas aprendem muito mais pelo exemplo, ou seja pela pratica daquilo que aprendemos e falamos, mas é muito interessante que a igreja que ali si iniciava já demonstrava sinais de uma igreja viva e pratica que podemos identificar no verso 42 deste capitulo, há pelo menos 5 pontos para acentuarmos:
1º. Eles eram FIRMES – Tinham convicção naquilo que criam e isso fazia com que eles, mudassem totalmente sua forma de viver
2º.. Eles seguiam os ensinamentos dos Apóstolos – Seguir é muito mais que ir atrás de alguém, mas é fazer igual colocar em pratica aquilo que foi ensinado, e era isso que aquela igreja fazia
3º.. Viviam o amor cristão – Mais que simplesmente uma expressão poética, eles viviam, ou seja, demonstravam e praticavam o amor Cristão, é nítido no verso 46 que diz que eles estavam unidos, se reuniam no pátio do Templo, nas suas casas partiam o pão e participavam das refeições com alegria e humildade...
4º.. Partiam o Pão – Serviam uns aos outros, se ajudavam cada um na sua necessidade...
5º.. Faziam orações – Tinham a pratica de falar com Deus, tinha vida espiritual ativa, não era apenas um ritual ou um ato religioso, louvavam a Deus com alegria...
Tudo isso fez com que o Senhor segundo o verso 47 fosse acrescentando a cada dia novos salvos a igreja, sabemos que nós não poderemos fazer absolutamente nada sem que Deus abençoe, mas é justamente porque temos a benção de Deus em nossa vida que devemos e podemos praticar a nossa firme convicção de que Cristo está vivo e nos salvou, seguindo os ensinamentos deixado por Ele, os quais aprendemos hoje através de nossos pastores, líderes e da nossa leitura diária, praticando e espalhando o mesmo amor que recebemos de Cristo em um contexto tão cruel que temos vivido em nossa sociedade, partindo o nosso pão, ou seja servindo aos necessitados com nossas vidas, com nosso trabalho, não somente os da fé mas toda a sociedade e principalmente tendo uma vida ativa, pratica de intimidade com Deus em nossas orações, de modo que o nosso relacionamento com Deus afete as pessoas que estão a nossa volta e faça a diferença.
Joh Rezende.

sábado, 21 de março de 2015

Jesus tirava meleca e soltava pum

Este post pode chocar você. Então, se você não deseja ser levado a refletir sobre o que não quer refletir, recomendo que pare a leitura agora. Se decidiu prosseguir, tenho de perguntar: preparado para ficar chocado? Ou, pelo menos, para pensar sobre alguns aspectos da pessoa de Jesus sobre os quais provavelmente nunca tinha pensado antes? Então vamos lá: Jesus soltava pum. Tirava meleca. Fazia xixi. Fazia cocô. Ficava grudento de suor. Sem usar bálsamos, tinha cecê. Arrotava. Tinha cera no ouvido. E por aí vai. Se você ficou abismado por eu estar falando essas coisas e agora me acha um grande herege ou, no mínimo, um enorme desrespeitoso, gostaria de dizer que estou sendo, simplesmente, bíblico. E, acredite, não estou usando o nome de Deus em vão: eu quero chegar, sim, a algum lugar com esta reflexão, aparentemente bizarra.

As Escrituras falam sobre Jesus que “ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana” (Fp 2.6-7). Isso nos mostra que o Criador do universo, o temível e poderoso Deus, o único digno de abrir os selos, aquele diante de quem todo joelho se dobrará… fez-se como um homem. E, como tal, carregou em si absolutamente todas as características de um ser humano, com exceção de uma: ele nunca pecou.

E se, como homem, Jesus tinha todas as características humanas, é natural concluir que ele flatulasse, arrotasse, assoasse o nariz, tivesse cheiro de gente, fizesse necessidades fisiológicas e tudo o mais que eu, você e qualquer ser humano na face da terra fazemos. Quando você acorda de manhã, seu hálito tem aroma de rosas? Nunca arrotou ao final de uma refeição? Os gases que solta no banheiro têm cheiro de perfume francês? Não? Ah, certo, sabe por quê? Porque você é 100% homem. Assim como Jesus.

Já está chocado o suficiente ou posso ir além? Se está escandalizado, recomendo de coração que pare esta leitura agora, pois a humanidade de Cristo será ainda mais exposta a partir deste ponto. Se continuar, será por sua conta e risco. Quer prosseguir? Então vamos lá: há um aspecto da pessoa de Jesus que quase ninguém fala, com medo das reações, que deixa muitas pessoas de queixo caído e cabelos em pé, mas do qual não se pode fugir: Jesus sofreu tentações em todas as áreas, inclusive a sexual. “Tá maluco, Zágari!?!?!?!?!”. Bem… não, eu não estou maluco. Posso afirmar isso porque as Escrituras afirmam isso. Veja: “Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão. Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado” (Hb 4.14-15). Repare: “ele foi tentado em TODAS as coisas”, assim como ocorre com qualquer um de nós, seres humanos. E “todas” significaria, por acaso “umas mas não outras”? Ou “todas” significa… “todas”? Se “todas” significa “todas”, posso afirmar que Jesus foi tentado para roubar, mentir, desonrar os pais, ser arrogante, sonegar imposto e se relacionar sexualmente sendo solteiro, entre tantos outros milhares de tipos de tentação.

Se você está escandalizado por isso, é porque ainda não compreendeu que ser tentado é diferente de cometer o pecado. Ter sido tentado em todas as coisas não quer dizer que ele pecou em qualquer uma delas. Pelo contrário: a Bíblia afirma que em tudo Jesus foi tentado e afirma que em nadaele pecou. Então Jesus ter sido tentado não é nenhum problema. Problema teria sido ele pecar. Jesus foi tentado no deserto para cometer enorme abominação: prestar adoração ao Diabo. E isso não escandaliza ninguém. Por que, então, dizer que ele sofreu outros tipos de tentação deveria escandalizar?

Agora que já choquei bastante você com todas essas realidades bíblicas, vamos ao que de fato interessa nesta reflexão: precisamos ter muito claro que Jesus é totalmente humano. Totalmente. Totalmente. A ausência de pecado é o porém: exclua o pecado e ele é igualzinho, em sua humanidade, ao resto da humanidade! Se assim não fosse, ele jamais poderia ter morrido pelo pecado de todos, pois um Deus não-humano não teria como sofrer em nosso lugar. Uma das maiores discussões entre os teólogos dos primeiros séculos de Igreja era exatamente esta: seria Cristo só espírito, só carne, dois em um, um em um…? Como seria a essência do Salvador? Após muitas discussões e concílios, concluiu-se, a partir das Escrituras, que ele abrigava em si, simultaneamente, as duas naturezas: humana e divina. Foi preciso a Igreja passar pelos concílios de Niceia (ano 325), Constantinopla (381) e Éfeso (431), para finalmente, no concílio de Calcedônia (451), sacramentar a afirmação da existência de duas naturezas na única pessoa de Cristo (o que a teologia chama de “diofisismo”). O texto final desse concílio estabeleceu:

“Na linha dos santos Padres, ensinamos unanimemente a confessar um só e mesmo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, o mesmo perfeito em divindade e perfeito em humanidade, o mesmo verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, composto de uma alma racional e de um corpo, consubstancial ao Pai segundo a divindade, consubstancial a nós segundo a humanidade, ‘semelhante a nós em tudo com exceção do pecado'(Hb4.15); gerado do Pai antes de todos os séculos segundo a divindade, e nesses últimos dias, para nós e para nossa salvação, nascido da Virgem Maria, mãe de Deus, segundo a humanidade. Um só e mesmo Cristo, Senhor, Filho Único que devemos reconhecer em duas naturezas, sem confusão, sem mudanças, sem divisão, sem separação. A diferença das naturezas não é de modo algum suprimida pela sua união, mas antes as propriedades de cada uma são salvaguardadas e reunidas em uma só pessoa e uma só hipóstase”(DS 301-302).

Qual é a grande beleza dessa realidade? De que maneira saber que Cristo é totalmente homem, nos mínimos detalhes, influencia nossa vida? Simples: Jesus nos entende. Ele é plenamente o que nós somos. Assim, compreende com exatidão tudo o que tem a ver com o ser humano. Você solta pum? Jesus entende. Você tira meleca? Jesus entende. Você tem mau hálito de manhã? Jesus entende. Seu desodorante venceu? Jesus entende.

De igual modo – e este sim é o ponto que realmente importa -, se Jesus te entende nessas besteirinhas sem importância, ele te entende também nas grandes. Você pecou? O perdão dele é total. “Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões. Como um pai se compadece de seus filhos, assim o SENHOR se compadece dos que o temem. Pois ele conhece a nossa estrutura e sabe que somos pó” (Sl 103.12-14). Você está sendo tentado? Ele nos ensina o caminho: “Vigiem e orem para que não caiam em tentação” (Mt 26.41). Você tem vontade de dar na cara de quem te fez mal? Aquele que foi esbofeteado, cuspido e humilhado mostra como reagir: “Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus” (Mt 5.44-45). E por aí vai. Cristo tem total identificação conosco, porque se fez como um de nós. O gigante se fez como um anão e, assim, compreende plenamente o que é ser anão.

Meu irmão, minha irmã, compreender a humanidade de Cristo não tem nada a ver com saber que ele fazia xixi e tirava meleca. Isso em nada importa, é irrelevante. O que é extraordinário é entender que essa compreensão nos revela um Deus que sabe onde dói a nossa dor; que entende o que é a tentação; que viveu na pele a fome e a sede, a dor e a angústia, o sofrimento e o abandono, a vida e a morte. Jesus ser homem é a grande maravilha do milagre da encarnação: ele entende. Ele entende você. Ele compreende pelo que você está passando. Ele sente nele a aflição da sua alma. Ele tem empatia pelas suas dores. E, por tudo isso, Cristo não dá as costas quando você mais precisa dele. Nunca. Essa é uma das mais lindas consequências da cruz.

Deus te ama. E quis ser como você é, para que você pudesse entender que ele te entende. E, ao vestir-se de homem, morrer e ressuscitar, Cristo deu a você o poder de passar a eternidade na companhia desse magnífico, extraordinário e belo Deus de amor.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,

Maurício Zagari

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Eu não vou orar por você


É muito comum no nosso meio cristão prometermos orar por alguém. Sabemos que uma pessoa está em uma situação complicada e nossa resposta imediata costuma ser algo como “vou estar em oração”. Recentemente vi um irmão postar no facebook que estava no hospital e li muitas pessoas escreverem comentários como “em oração”, “estou orando”, “estamos orando” ou algo assim. A pergunta que te faço é: todas as vezes em que você diz que vai orar ou que está orando por alguém realmente você chega a falar com Deus sobre o assunto? Ou é só da boca pra fora?

Tenho reparado que o “vou orar por você” ganhou uma série de significados diferentes, como se fosse uma espécie de “resposta coringa” que serve para diferentes situações e ganha significados distintos em cada uma delas. O primeiro deles é uma espécie de “receba o meu apoio”. É uma forma de dizer que a pessoa estende sua solidariedade ao outro. Por exemplo, alguém diz que está triste e o amigo comenta: “Vou orar por você”… só que, na realidade, não ora. Nunca chega a falar com Deus sobre o assunto. Outro significado é na linha do “como é que ficou aquela situação?”. É como ocorre quando você encontra alguém que estava com um problema que vinha se desenrolando já há algum tempo e, para mostrar que se lembra da questão e se preocupa com o amigo que a está enfrentando, você manda um “continuo orando, viu?”. Mas, de fato, não tirou nenhum período de oração em prol do conhecido.

Há muitas outras circunstâncias em que a promessa de oração é feita mas não cumprida. É como ocorre no já citado caso da pessoa doente. Muitos dizem (ou escrevem) “em oração”, querendo exprimir, na verdade, “melhoras!”… e não chegam a dobrar os joelhos pelo enfermo nem por um segundo. Ou quando alguém desabafa sobre um problema ou uma angústia por que esteja passando e você encerra a conversa prometendo “vamos orar, vamos orar”, com o significado de “espero que tudo dê certo”. Assim, se você começar a prestar atenção, verá que muita gente se compromete a interceder por algo ou alguém sem nunca chegar, de fato, a cumprir a promessa.

Isso é um problema? Sim, é.

Uma oração não é pouca coisa. Ela é, de fato, uma disciplina poderosa é indispensável na vida cristã. Quando oramos, algo real e concreto ocorre no mundo espiritual e, consequentemente, no material. A oração tem consequências. Ela é fato. Por isso, sempre que você promete que vai orar por alguém e não ora, está deixando de somar à multidão de vozes que recorrem ao Pai por aquela situação. Sua oração faz falta. Deus conta com ela. E, se você não a fizer de fato, um buraco ficará no conjunto de irmãos que intercedem por algo ou por alguém específico.

Outro problema é, simplesmente, que você mentiu. E a mentira sempre traz más consequências. Lembre-se de que o Diabo é o pai da mentira, logo, nada de bom pode brotar a partir de uma inverdade, mesmo que bem intencionada. “Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno” (Mt 5.37). Se nos comprometemos com algo, como povo da verdade precisamos cumprir aquela promessa. Uma promessa solene, como a promessa de orar por alguém ou alguma situação, configura um voto; e, como todo voto, tem peso diante dos homens e diante de Deus. A Escritura fala sobre isso: “Não seja precipitado de lábios, nem apressado de coração para fazer promessas diante de Deus. Deus está nos céus,e você está na terra, por isso, fale pouco. Das muitas ocupações brotam sonhos; do muito falar nasce a prosa vã do tolo. Quando você fizer um voto, cumpra-o sem demora, pois os tolos desagradam a Deus; cumpra o seu voto. É melhor não fazer voto do que fazer e não cumprir” (Ec 5.2-5).

Em geral, quem diz que vai interceder em favor do próximo e não o faz não compreende realmente a eficácia da oração nem a angústia no coração de quem precisa dela. Jesus no Getsêmani se entristeceu porque seus discípulos dormiram em vez de compartilhar de seu momento, em oração. Repare bem o que ele disse quando, em angústia de alma, encontrou Pedro e os dois filhos de Zebedeu roncando em vez de em oração: “Depois, voltou aos seus discípulos e os encontrou dormindo. ‘Vocês não puderam vigiar comigo nem por uma hora?’, perguntou ele a Pedro. ‘Vigiem e orem para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca’” (Mt 26.40-41). Acredito que a decepção que Jesus sentiu por seus amigos não estarem em oração por ele é a mesma que ele sente, hoje, quando alguém assume o compromisso de interceder… mas não intercede.

É importante que “vou orar por você” signifique, exatamente, “vou orar por você”. Que “em oração” signifique que você está de fato tirando momentos regulares de intercessão pela situação. Ou seja, que a promessa resulte numa ação: abrir os lábios e expor ao Senhor o seu pedido. Então, fica aqui a minha recomendação: pense muito bem antes de se comprometer a orar por algo ou alguém, antes de escrever nos comentários das redes sociais que está orando, antes de dizer que fará algo que não fará. Não é pecado não orar por quem precisa, embora não seja muito misericordioso deixar de clamar a Deus por quem necessita da sua oração. Mas, uma vez que você se compromete, deixar de cumprir seu voto é, sim, pecado. Pois é mentira.

A Igreja precisa de intercessores. Você tem essa capacidade. Tudo de que precisa é um coração cheio de compaixão e alguns minutos do seu dia. Diante disso, o convido a lembrar de todas as vezes que prometeu orar por algo ou alguém e não o fez… e fazer isso agora. E, também, a, a partir de hoje, sempre que fizer essa promessa, cumpri-la. É só o que Deus espera de você.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Aos crentes que não gostam de hierarquia nas igrejas


Aumenta a cada dia o número de crentes que não se sujeitam aos líderes e pensam que estão certos. Não respeitam pastores, verberam contra a liderança e afirmam que só devem obediência a Deus. “Igreja não é quartel general”, argumentam. E, generalizando, chamam qualquer liderança firme, segura, de coronelista.

Entretanto, vemos na Bíblia que o próprio Deus prioriza e hierarquiza. Ele — que podia ter formado todas as coisas com uma única palavra — fez questão de formar tudo a seu tempo, dia a dia (Gn 1). O Senhor também pôs em ordem as tribos de Israel (Nm 2), pois o nosso Deus é um Deus de ordem (1 Co 14.40).

De acordo com 1 Coríntios 12.28, há uma hierarquização dos dons e ministérios — estabelecida por Deus, é evidente. Ela existe, não para que um portador de certo dom e ministério se considere superior aos outros, e sim para que haja ordem na casa do Senhor.

Deus pôs na igreja “primeiramente apóstolos” (1 Co 12.28; Ef 4.11). Existem apóstolos hoje? Sim! Mas é claro que há também pseudo-apóstolos, que propagam muitas “apostolices”. Quem são os apóstolos do Senhor, então? São homens de Deus, enviados por Ele, com grande autoridade, e não autoritarismo. Eles formam a liderança maior da igreja, independentemente dos títulos empregados pelas denominações (pastores-presidentes, bispos, reverendos, pastores, presbíteros, etc.).

É importante não confundir títulos com ministérios e dons. Estes vêm do Espírito Santo, enquanto os títulos são recebidos dos homens. Na Batista, por exemplo, não existe o título de apóstolo. Mas isso não significa que não exista o ministério apostólico. Este, segundo a Bíblia, perdurará “até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Ef 4.13).

O texto de 1 Coríntios 12.28 afirma, ainda, que Deus pôs na igreja “em segundo lugar, profetas”, mencionados — na mesma posição, depois dos apóstolos — em Efésios 4.11. Não confunda esses profetas com os crentes que falam em profecia nos cultos, também chamados de profetas em 1 Coríntios 14.29. O ministério profético neotestamentário é formado por pregadores (pregadores, mesmo!) da Palavra de Deus, portadores de mensagens proféticas.

Em seguida, a Palavra do Senhor, em 1 Coríntios 12.28, assevera: “em terceiro, doutores”. Veja como essa hierarquização ocorria na igreja de Antioquia da Síria: “havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé, e Simeão, chamado Níger, e Lúcio, cireneu, e Manaém, que fora criado com Herodes, o tetrarca, e Saulo” (At 13.1). Nesse caso, os doutores, que atuam juntamente com os profetas, são ensinadores da Palavra de Deus.

Há casos, como o de Paulo, em que três ou dois dos ministérios mencionados (apóstolo, profeta e doutor) se intercambiam (1 Tm 2.7). Os ministérios de pastor e evangelista certamente fazem parte dos três escalões mencionados em 1 Coríntios 12.28, posto que são títulos relacionados com a liderança maior da igreja.

Finalmente, em 1 Coríntios 12.28, está escrito: “depois, milagres, depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas”. Milagres só vêm depois de apóstolos, profetas e doutores? Isso mesmo. Na hierarquização feita por Deus, o ministério da Palavra é mais prioritário que os milagres, haja vista serem estes o efeito da pregação do Evangelho (Mc 16.17). Observe que João Batista foi considerado por Jesus o maior profeta dentre os nascidos de mulher, mesmo sem ter realizado sinal algum (Jo 10.41).

Se não houver hierarquia nas igrejas, para que servirão os cargos e funções? Qualquer pessoa, dizendo-se usada por Deus, poderá mandar no pastor. Aliás, isso estava acontecendo na igreja de Tiatira, e o próprio Senhor Jesus repreendeu o obreiro frouxo que não estava exercendo a liderança que recebera do Senhor (Ap 2.20).

Deus é Deus de ordem! O princípio divino da hierarquização aparece em várias outras passagens neotestamentárias. Em 1 Coríntios 14.26, vemos que, no culto coletivo a Deus, deve haver ordem. Quanto à ressurreição, está escrito: “Mas cada um por sua ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda” (1 Co 15.23). E, no Arrebatamento, tal princípio também será aplicado: “os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens” (1 Ts 4.17).

Em 1 Tessalonicenses 5.23, vemos que Deus prioriza o espírito, na santificação. Muitos pregadores têm dito: “Deus nos quer por inteiro: corpo, alma e espírito”. Mas a Bíblia afirma: “e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”. Essa ordem mostra que a obra santificadora do Espírito Santo ocorre de dentro para fora, e não de fora para dentro.

O apóstolo Paulo também parabenizou os crentes da cidade de Colossos porque naquela igreja havia ordem (Cl 2.5). E ordem também significa respeitar a hierarquia! Afinal, os ministérios não são invenção humana. Eles foram dados por Deus para edificação do Corpo de Cristo (Ef 4.11-15).


Amém?