quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Graça


É o beijo da graça que torna o irritante coaxar do sapo no falar suave do príncipe encantado.
Nada me deixa mais emocionado do que hospedar a beleza em meus sentidos.
Quando sou escolhido para receber no coração a ternura do traço, a singeleza da cor, o mistério da palavra, a emoção da cena, o sentimento do som ou a sabedoria do silêncio, saboreio o instante com a intensidade dos apaixonados.
Experimento uma metamorfose ardente em todas as dimensões da minha existência e enxergo o quanto é deprimente rodear o lago como se o universo morasse ali.
Passo a desejar música, comunhão, significado e lágrimas. Quero dançar alegrias e ler as esperanças escritas nos pergaminhos da dor.
Sim, começo a desejar a realeza. Não pelo brilho da vaidade, ou pela sensualidade do poder. Mas pela riqueza de sonhos, afetos, poesias, ideais e fusões que fazem parte da vida de um herdeiro do trono do Reino do amor.
Este é o tão celebrado milagre da transformação. Os pensamentos que se contentavam em rastejar descobrem que possuem asas, e passam a brincar com nuvens.
Louvo ao Senhor por emprestar a tudo o que existe, uma pequena porção de Sua glória e esplendor.
Hoje preguei. Cantei. Abracei. Conversei. Li e orei. E fui abençoado enquanto vivia cada uma destas realidades.

No que li, pensei, refleti, disse, senti e contemplei. Nestas coisas escutei a voz que não mente ensinando-me que os sapos já foram príncipes.
Quando nossos rostos esverdeados são alcançados pelos lábios da Graça, recordamos que o pântano não é belo e que há muito mais para ser visto com nossos verdadeiros olhos, olhos de príncipe. Somos herdeiros do trono do AMOR.
Thiago Grulha

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